Nos Élus Coëns, a leitura atenta dos manuscritos e regulamentos da Ordem revelam uma concepção de prática espiritual profundamente distinta daquela que, mais tarde, se tornaria comum em correntes mágicas voltadas ao fenômeno, ao êxtase ou à exibição de sinais extraordinários. Desde os textos operativos até os catecismos e estatutos, emerge uma lógica clara: o sucesso da operação jamais é definido pela ocorrência de fenômenos sensíveis, mas pela retificação interior do operante e pela conformidade de sua experiência com a ordem espiritual legítima. Os manuscritos são inequívocos ao deslocar o critério de êxito do exterior para o interior. Quando afirmam que, se a operação não produz o efeito desejado, a causa está no erro do operante, não se referem à ausência de visões, imagens ou manifestações, mas à inadequação moral, psíquica ou espiritual daquele que opera. O problema não é “não ver”, mas não estar em ordem. A operação, nesse contexto, não é um mecanismo destinado a provocar estado...
"... nunca se deve ter medo de estar falando abertamente demais: o Verbo só atingirá aqueles que devem ser atingidos” Papus S .'. I '.'